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Prainha, onze anos de luta
 
A primeira e uma das mais famosos lutas de Sirkis, como vereador e, depois, secretário, foi da Prainha. Em 1990, a companhia Litorânea de propriedade de Drault Ernany acordou com a construtora Santa Isabel um empreendimento de três prédios, dois de apartamentos e um hotel, na Prainha. O projeto foi descoberto, por acaso, pelo surfista Grande que vendera sua moto a um funcionário da construtora e, ao comparecer à sede da mesma, deparou-se com a maquete.

Os surfistas procuraram Sirkis que apresentou um projeto de Lei Criando a Área de Proteção Ambiental da Prainha. Realizam juntos duas manifestações, uma no local e outras em frente a Santa Isabel, no Leblon. A lei foi apresentada e sorrateiramente incluída na ordem do dia. Foi aprovada discretamente em duas votações, na mesma tarde. Ao perceberem o que acontecera os interessados no empreendimento e alguns vereadores montaram um forte lobby para que o então prefeito, Marcello Alencar, a vetasse. Ele se recusou e promulgou a Lei, apesar das grandes pressões, inclusive familiares, que sofreu. A Lei 1 534/90, impediu a construção dos prédios mas foi apenas o primeiro passo. Sirkis obteve de Marcello a aprovação para uma primeira obra de urbanização da área pública junto à Prainha, desenvolvida pelo então IPLAN (futuro IPP). Em 1992, foi construída a mureta, o estacionamento, a passagem sobre o mar e criada a primeira sinalização ecológica da área.

Ao ser nomeado secretário de meio-ambiente do primeiro governo César Maia, em 1993, Sirkis procurou o proprietário Drault Ernany e negociou com ele o princípio de uma permuta de terrenos. A prefeitura receberia toda sua área na Prainha para poder implantar um parque ecológico e uma infra-estrutura de apoio ao surfe e os proprietários, em troca, alguns terrenos edificáveis no Recreio dos Bandeirantes. Paralelamente Sirkis licitou um projeto de implantação do futuro Parque. Enquanto a negociação se processava novas melhorias ocorriam. Ocupações irregulares no local foram demolidas, kiosques do padrão Rio Orla implantados e uma nova etapa das melhorias na área pública foi realizada, com apoio da sub-prefeitura da Barra e empresas privadas. Os surfistas já haviam se organizado na ASAP(Associação de Surfistas da Prainha) e passaram a ter voz ativa.

O processo de permuta foi extremamente complicado e só foi concluído no governo seguinte, tendo ocorrido, inclusive, um conflito pela inclusão de alguns terrenos na zona sul que geraram problemas judiciais. De qualquer modo consolidação da vitória consumou-se e toda área florestal da Prainha passou a propriedade municipal. O Parque da Prainha foi completado, já no segundo governo César Maia, em 2001. Passou a chamar-se Parque Drault Ernany, em homengem ao proprietário que, durante muitas décadas, mantevera a área livre de ocupações e, depois, tevera a grandeza de aceitar a APA e negociar a permuta. Para essa vitória foi necessário lutar, legislar, negociar, planejar e realizar.

É um caso exemplar de luta ambientalista desdobrada no tempo e bem sucedida.
 
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