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Mutirão de reflorestamento: uma mão na roda
 

O Mutirão de Reflorestamento foi criado na então Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS), após as terríveis enchentes de 1988, que provocaram centenas de vítimas em desmoronamentos, facilitados pela erosão de áreas desmatadas, atingidas por erosão e acúmulo de lixo. Esse projeto, revolucionário, concebido por técnicos da Prefeitura, reflorestava utilizando a mão de obra das próprias comunidades de favela, em regime de Mutirão Remunerado, o que se demonstrava mais eficaz que o reflorestamento tradicional feito por contratos com empreiteiras cuja distancia em relação às áreas trabalhadas e freqüentes descontinuidades de contrato impediam uma boa manutenção, essencial para a sobrevivência do reflorestamento, cujo maior inimigo é o capim colonião, que precisa ser cortado constantemente, até as arvores formarem copa.

Durante vários anos, no entanto, o projeto ficou muito aquém de seu potencial por falta de um apoio político mais forte dentro da prefeitura. Em 1994, Alfredo Sirkis, então secretário de meio ambiente, obteve do prefeito César Maia a transferência do Mutirão de Reflorestamento da SMDS para a recém criada SMAC. A partir de então o Mutirão de Reflorestamento foi fortemente dinamizado, seus técnicos tiveram um grande apoio em cargos comissionados, recursos orçamentários e sustentação político e de mídia, por parte de Sirkis, para quem este era o projeto prioritário de sua gestão pelo fato de combinar a recuperação ambiental, a geração de renda, a ocupação de jovens desempregados e em situação de risco e a educação ambiental.

Na gestão Sirkis,(93-96) esse programa foi levado a 22 novas comunidades: Vila Elsa, Tavares Bastos, Mangueira, Andre Rebouças, Sumaré, Chácara do Céu, Jequiá, Andaraí, Babilônia, N. S. da Guia, Jardim do Carmo, Marianos, Serrinha, Paulo de Medeiros, Barra de Guaratiba, Fazenda Viegas, Jabour, Guararapes, Pau da Bandeira. E, recentemente, à Rocinha, Vidigal e Itanhangá.

Sirkis preocupou-se também em criar uma alternativa de continuidade para os trabalhadores do Mutirão daquelas áreas onde o reflorestamento, depois de 5 anos, já havia virado floresta tornando desnecessária a manutenção. Ajudou a criar, em 1996, a COOPFLORA cooperativa de egressos do Mutirão, que atualmente trabalha para prefeituras e empresas privadas, em reflorestamento, arborização e jardinagem, em toda região metropolitana.

Ao final de sua gestão o Mutirão já estava em 47 comunidades de favela, totalizando 660 hectares de área reflorestada, associado a ações de coleta de lixo, saneamento em várias delas. Também teve reconhecimento internacional foi um dos 16 projetos selecionados no Programa Megacidades, da ONU, coordenado por Janice Perlman e recebeu a Menção Honrosa do Premio Metropolis, no Congresso de Seul, em 2002, quando foi apresentado para uma grande audiência por Sirkis, representando o Rio de Janeiro.

Atualmente o Mutirão de Reflorestamento já alcançou 81 comunidades e já reflorestou mais de 1560 hectares, perto de favelas, em diferentes regiões da cidade.

Detalhes sobre o projeto:

· os encarregados do reflorestamento são eleitos em assembléia pela comunidade e recebem o correspondente a três e meio salários mínimos; os agentes de reflorestamento recebem um salário e meio. Além disso, Sirkis instituiu uma taxa de produtividade e promoveu a criação da cooperativa de reflorestamento para garantir emprego àqueles agentes de reflorestamento em cujas comunidades o trabalho já esteja terminado;

· através do mutirão, realiza-se também o trabalho de coleta de lixo em vielas (Chácara do Céu), recuperação de redes de esgoto (Cidade de Deus), abastecimento de água potável (Alto Catrambi) e o projeto Aquarelas do Rio, fornecendo cimento e tinta para o emboço e a pintura das casa, em oito cores diferentes, a livre escolha do morador (Chácara do Céu).

· através do mutirão, foi construída a primeira parte do muro de proteção da Mata Atlântica, em volta da favela da Rocinha (do lado do Morro dos Dois Irmãos);

· além do Mutirão, foram realizados reflorestamentos pela Fundação Parques e Jardins em Laranjeiras, no Cosme Velho, no Morro da Urca, no Morro da Formiga, no Salgueiro e o reflorestamento da Pedra do Leme com alpinistas do GAE (Grupo de Ação Ecológica);

· o mutirão implica também um pacto com a comunidade para conter o crescimento da favela sobre a área verde;

· nas grandes enchentes de 1996, a contrário das de 1988, não houve desabamentos nem vítimas naquelas favelas onde já atuava o mutirão de reflorestamento, hoje os desmoronamentos em favelas, freqüentes nos anos 60, 70 e 80, tornaram-se raros.

· foi selecionado pelo projeto Megacidades vinculado à ONU como uma das intervenções sócio-ambientais mais relevantes do planeta e recebeu menção honrosa no Congresso de Seul, do Metrópolis, em 2002.

 
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