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Circo Voador: vitória completa
 
O Circo Voador foi fechado em outubro de 96, na noite do segundo turno das eleições para prefeito. O candidato Luiz Paulo Conde, que lá comemorava sua vitória, fora vaiado pelo grupo punk Ratos do Porão e o então prefeito, César Maia, interditou o antigo Circo. A questão política misturou-se com problemas reais: poluição sonora e insegurança, dada a precariedade da estrutura então existente. O Circo, no entanto, era o tradicional e querido espaço da juventude carioca na Lapa. Alfredo Sirkis, então vereador, em final de seu segundo mandato e não reeleito --naquela eleição apoiara para Prefeito o saudoso Sérgio Arouca, do PPS-- comprometeu-se em lutar pela volta do Circo, em novas condições, apoiando as mobilizações de Maria Juça, que também obteve a adesão de Fernando Gabeira.

Como prefeito Conde determinou a demolição da estrutura antiga do Circo e descartou qualquer possibilidade de sua volta. Perfeito Fortuna, que fora um dos percussores do Circo e depois se afastara, voluntariamente, passou a defender a tese de que o Circo deveria funcionar na Fundição Progresso. Maria Juça continuou sua luta, pela volta do Circo, e obteve duas decisões judiciais favoráveis à sua reabertura, cuja implementação prática era difícil em função da demolição e da hostilidade da prefeitura.

Candidato a prefeito, pelo PV, às eleições de 2000, Sirkis, que havia recobrado o mandato de vereador, em 99, incluiu na sua plataforma a reconstrução do Circo Voador. No segundo turno, ao negociar seu apoio e o do deputado Fernando Gabeira, ao candidato César Maia, uma das condições programáticas acordadas foi a reconstrução do Circo Voador.

Vitorioso, César Maia cumpriu seu compromisso. Alfredo Sirkis, como secretário de urbanismo e presidente do IPP, convocou, em 2001, um concurso público, em parceria com o IAB, que foi vencido pelos arquitetos Célio Diniz, Eduardo Dezouzart, Eduardo Canellas e Tiago Gualda com um projeto revolucionário para o novo Circo. Local de revelação de novos valores da música o Circo Voador, nesse caso, também revelou esses quatro jovens arquitetos de grande talento.

As obras começaram no ano seguinte, sob a supervisão de Sirkis, e concluíram-se em 2004 com a reabertura do novo Circo Voador, gerido por Maria Juça, que tanto lutara por ele. Além de seu papel musical e cultural o Circo incrementou suas atividades de cunho social. Para que o projeto fique completo falta ainda a conclusão da Creche Apareche cujo novo prédio foi desenhado no IPP. A volta do Circo Voador à Lapa foi mais um elemento em sua revitalização, uma vitória completa para nossa cidade.
 
     
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