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Em 1989, o movimento ambientalista e comunitário da
Freguesia de Jacarepaguá mobilizou-se contra a ameaça
de loteamento e construção dentro do Bosque
da Freguesia, última área verde do bairro, de
propriedade da Dirija. A AMAF, a ANJU e o GRUDE, procuraram
o vereador Alfredo Sirkis, que participou de suas mobilizações
e apresentou um projeto de Lei tombando o Bosque. O projeto
foi aprovado pela Câmara mas vetado pelo então
Prefeito Marcello Alencar (por razões técnicas).
A Câmara, pressionada por uma intensa mobilização,
derrubou o veto. A Lei foi promulgada mas a Dirija obteve
uma vitória na justiça reconhecendo a validade
da licença de construção que obtivera.
Marcello, apoiando a mobilização do vereador
Sirkis e das entidades envolvidas não permitiu que
a obra se iniciasse. Chegou-se a um impasse. A Dirija não
conseguiu realizar as obras mas o Bosque ficou fechado e abandonado.
Começou um processo acelerado de deterioro: roubo de
areia, incêndios, desova de cadáveres, refugio
de assaltantes. A não construção pura
e simples, sem a apropriação do Bosque pela
comunidade, mostrou-se também negativa.
Sirkis iniciou uma negociação com a Dirija,
com a participação das entidades locais Chegou-se
a um acordo mediante o qual a Dirija doaria à Prefeitura
85% da área do Bosque e poderia construir sua concessionária
e um shopping nos 15% remanescentes, junto Estrada Gabinal.
Houve controvérsias na comunidade e, por sugestão
de Sirkis, organizou-se um referendo no bairro. A vitória
do “sim” foi inequívoca e o acordo foi
firmado. Sirkis, já então secretário
de meio-ambiente, obteve da empresa construtora da Linha
Amarela uma ajuda para implantar, sem custos, a primeira
etapa das obras do parque: as trilhas, a sinalização,
uma quadra de esportes. Paralelamente através da
Fundação Parques e Jardins implantou o gradeamento
externo do Parque, protegendo-o contra o vandalismo e algumas
outras melhorias, como a guarita perto da rua Tem. Cel.
Muniz de Aragão. Também colocou no Bosque
um primeiro contingente do GDA da Guarda Municipal. Um dos
seus últimos atos, como secretário, foi trazer
do Caju, uma estátua que denominou a Deusa do Bosque.
Também elaborou pela FPJ, o projeto de sede e de
implantação definitiva do Parque, além
de promover atividades culturais no Bosque pelo projeto
Ecologia, Diversão e Arte que serviram para estimular
seu uso pela comunidade, melhor garantia de sua preservação
definitiva.
A primeira etapa foi realizada na administração
seguinte e a segunda, com a construção da
sede, já no segundo governo César Maia, em
2002. Hoje o Bosque da Freguesia é uma unidade de
conservação perfeitamente equipada com uma
administração própria e um uso intenso.
O shopping construído junto à Estrada Gabinal
tornou-se um parceiro na preservação.
O Bosque da Freguesia é um bom exemplo de que a
preservação do verde urbano depende, não
de sua “intocabilidade”, mas de seu uso e usufruto
adequado por parte de uma comunidade local que lhe dá
o devido valor e cuidado.